Brincar é um direito da criança

O Dia Internacional do Brincar é comemorado em 28 de maio, data em que se busca relembrar o direito de brincar, garantido no artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas – ONU. Segundo Camila da Silva Ferrão, psicóloga do Programa do Dedica – Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, desenvolvido e mantido pelos Amigos do Hospital de Clínicas, as mudanças na sociedade são constantes e afetam também várias esferas da vida humana, “inclusive o conceito que se tem da criança e do adolescente tem muito a ver com o contexto histórico e social da atualidade”, ressalta a psicóloga.

Camila destaca que a era virtual tem afetado não somente a forma de brincar, como a maneira como as crianças de hoje se desenvolvem. Atualmente, é comum que as crianças entrem na escola cada vez mais cedo e isso tem feito com que seja exigido dela novos conhecimentos de uma forma mais rigorosa. “Além disso, as crianças desde muito pequenas já são incentivadas a terem uma agenda repleta de atividades que tomam praticamente todo o seu tempo. São também cobradas a darem resultados e a competirem com seus colegas, como se desde cedo estivessem sendo preparadas para enfrentarem o universo competitivo do trabalho e das relações humanas”, explica a psicóloga do Dedica.

 

A importância do brincar

É brincando que a criança apreende o que lhe foi transmitido pelos pais e demais cuidadores, além de colocar em cena seus medos, suas fantasias e seus desejos. “Nesta construção a criança não apenas reproduz a vida real, mas também cria suas condições ideais e, assim, reordena seu mundo ao mesmo passo em que se desenvolve”, explica a psicóloga Camila.

Porém, brincar é algo que a criança aprende com o convívio com outras pessoas, sejam crianças ou adultos. O brincar precisa ser incentivado, principalmente pelas pessoas que têm mais vínculo afetivo com a criança. Camila reforça que na brincadeira a criança vive muita emoção e tratará seus brinquedos como se eles fossem um espelho do afeto que elas recebem.

Camila detalha que é fundamental que se brinque com as crianças e que suas brincadeiras sejam levadas à sério. Neste espaço de brincadeiras, elas podem se expressar de maneira livre, bem como explorar novas possibilidades e elaborar seus próprios impasses. Mas atualmente, segundo a psicóloga do Dedica, temos um cenário desfavorável para as brincadeiras infantis tradicionais que vêm sendo substituídas cada vez mais precocemente por uma outra forma de brincar, mediada por aparelhos eletrônicos. A psicóloga questiona quanto esses “novos brinquedos” cumprem as mesmas funções que os brinquedos não tão modernos.

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