De acordo com a Dra. Luci Pfeiffer, médica pediatra, psicanalista e coordenadora do Programa Dedica dos Amigos do HC, os estudos mostram que a maior parte dos casos de violência infanto-juvenil acontecem dentre de casa e durante esse perÃodo de isolamento social, o risco de maus-tratos é muito maior. âFora da escola e do olhar dos profissionais de saúde e da sociedade, estão sendo mantidos isolados com seus mais frequente agressores, pais, responsáveis, parentes próximos ou conviventes, sem condições de pedir ajudaâ, alerta. âNesse momento único na vida de todos, é ainda mais importante voltar o olhar e o cuidado a garantir a integridade fÃsica e psicológica das crianças e adolescentesâ, conclui. Â
A coordenadora explica que a agressão contra crianças e adolescentes pode ser fÃsica, psÃquica e psicológica, sexual, negligência ou omissão de cuidar, causando diversos danos à s vÃtimas. âToda agressão pode deixar marcas fÃsicas ou psÃquicas que impeçam seu desenvolvimento saudável e prejudiquem sua capacidade de lutar pela vida. Quanto maior o laço dos agressores, homens ou mulheres, com a vÃtima, quanto mais precoce e mais duradoura, maiores os danos.Â
Para Dra. Luci, a sociedade precisa ter conhecimento de que a violência pode acontecer em todos os nÃveis sociais, de escolaridade, cultura, raça e credo. Diante disso, os adultos sadios devem proteger a infância e a adolescência, denunciando para livrá-los da violência, acompanhando para garantir a cada vÃtima o tratamento adequado e protegendo de novas agressões.Â
Para isso, a denúncia é a primeira atitude. Existem vários canais de denúncia, que pode ser feita de forma anônima. Ligue 156 (Prefeitura de Curitiba), 181 (Disque-denúncia estadual) ou 100 (Dique- denúncia nacional). Também é possÃvel buscar ajuda e orientação no Conselho Tutelar, Defensoria Pública, Ministério Público, Juizado da Infância e Juventude, Delegacias e PolÃcia Militar, nos dois últimos caso a violência esteja acontecendo no momento da denúncia. Â
Programa DedicaÂ
O Programa Dedica â Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, mantido pela Associação dos Amigos do Hospital de ClÃnicas, presta assistência interdisciplinar e intersetorial gratuita à s vÃtimas de violências graves e gravÃssimas, aos seus responsáveis e agressores, esses quando passÃveis de tratamento.Â
No Programa Dedica, as crianças e a adolescentes são atendidos por profissionais especialistas nas áreas de pediatria, psicologia, psicanálise, psiquiatria e assistência social. Ao todo, 200 a 240 pacientes são atendidos em sessões e consultas semanais, entre vÃtimas, responsáveis e agressores. No ano de 2019, foram realizados mais de 7 mil atendimentos, sendo uma média 600 por mês. Â
